De te abraçar na mais alta e ventosa montanha do mundo
De plantar flores nos teus pulsos e de ler para te adormecer
De te escovar o cabelo demoradamente e de falarmos muito baixo
De mergulhar no mar a segurar a tua mão para não ter medo
De encontrar o tesouro do teu sorriso muitas vezes
De te limpar uma lágrima num dia em que for preciso
De partilhar contigo todos os segredos, animais de estimação, livros e silêncios
De não precisar de esperar-te ou de procurar-te ou de recear-te ou recear-me
De acordar-te com cócegas ou esconder-me para assustar-te
Ou de ser acordado com sustos ou de te esconderes para me fazeres cócegas
De ser usado como apoio para pintares as tuas unhas de vermelho
Tela livre de pele para sarrabiscares e treinares as tuas tatuagens livres
De assistir à invenção da noite encostado a ti
De sentir o teu odor, a tua textura, o teu toque, a tua voz, muito perto
Como sei que não posso
Que não podes, não queres
Para poder continuar a sonhar e
Para que os teus sonhos não se envergonhem dos meus
Decidi refugiar-me e morrer de saudade sem apodrecer perto de ti
Foi apenas isso
Não fiques zangada
Desculpa lá,
Se puderes, se quiseres
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