O chá a escutar o grito da esquina vazia E a labareda a saracotear nos segredos Um par de luvas a entregar-se ao esquecimento O funeral lento e solene do guarda-chuva Por entre a sobriedade do vento, rouco Passos para nenhures e sem pegada Narizes a denunciar a vida velada nas flanelas Uma saudade abismal da motilidade sexual da selva A trespassar a memória rubra da lucidez ao frio A tranquilidade do gelo na indecisão dos dias, das noites O inverno quase congela a aparência fugaz das coisas Apazigua a angústia dos eternamente falsos profetas Enquanto nos apaixonamos pelas suas doenças A imaginar que também nos podemos queixar da sua dor