É preciso dizer urgentemente aos gatos Que o valor do meu coração é um encargo árduo Que o sangue que trago nos copos interiores Não coagula, [ nem com a gula ] Que o vento não me arrefece as artérias Passeia-me as delícias proibidas Que arranho os joelhos como um puto Para subir a tua carapaça dura Que levo o troar de uma horda mongol Abandonada pelas armas e dedicada à música Que sou um pedaço de lama inteligente, nada mais, E que sonho todos os dias, quase sempre acordado Que gosto de me esconder brincando à estupidez Para não deixar-me ser pedaços de saudade espalhada Que estou muito cansado e que gosto Que estou sempre de saída, ficando em todo lado Que me adapto como se já fosse E que sou como se não existisse Trago o coração na mão esquerda E um cigarro na direita Não sou alto nem baixo Novo nem velho Será fácil fugir ou ficar E quase sempre, ao mesmo tempo Por isso, se de mim esperas alguma coisa Eu não tenho nada Se queres nada, dá-me a mão Convida-m...
é no vento tíbio que guardo frutos. sentei-me à espera que apodreçam