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A mostrar mensagens de janeiro, 2016

sem título

Uma sombra lancinante cortava a escada como um bolo, servindo a maior fatia porta afora para um pátio escuro. Suspens o na escuridão, o clamor da luz de uma grande janela abria o ruidoso teatro de sombras sobre esse pátio. Um chinfrim próprio de rituais antigos. Debaixo do lustre de muitas dezenas de velas, o aço percutia o marfim: um chimpanzé perverso arremessava um martelo sobre os dentes geométricos de um piano de cauda. Si , dó , si , fá sustenido, mi , sol , foi uma das sequências que consigo relembrar, expectante, por debaixo da gritaria sufocante da governanta. O símio continuava pulando e ostentando o tesão do martelo, o Bosendorfer ía gritando de dor e os ais da matrona pediam socorro para tão desesperada situação. Seguiu-se um arrepiante si , si , dó , ré , ré , dó , si , lá , sol , sol , lá , produzido pelas marteladas no piano, que culminou com os gritos da mulher, primeiro em si e depois em sol , desafinando uma memória qualquer.   Corr...