Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Aristo

dizem que importa,  o tamanho 90º à esquerda  e sujas o bidé, paralelamente deitados  e o aristo em riste ouvimos música perpendicularmente felizes e desalinhados maped, escrito no meio precisas de mapa  para encontrares o meio? precisas de mapa  para te encontrares no meio?
Mensagens recentes
 todos os 4 de novembro numa velha estação de comboios há um bolo de aniversário que apodreceu de saudade cantar-te-ei, sempre, em silêncio

Ser português

Ser português é uma doença. Não façam pouco, que se sofre. Jorros de contestação nos cafés, nas esquinas e nos sofás. Chafarizes de indignação, com pés bem cimentados no chão. Gritamos: revolução! No cabeleireiro, no futebol, na casa de banho. Depois, humildemente, fazemos vénias e entregamos a dignidade dos nossos filhos, de graça, para não incomodarmos o Senhor Doutor, o Senhor Corregedor, o Senhor Prior, o Senhor Director e o Senhor Engenheiro. Que por acaso são nossos amigos. Uns tipos sérios. Ainda ontem, no café, concordaram que isto tem que mudar. Isto tem que mudar. Isto tem que mudar. Mudar, em português, significa praticar a fala do mudo: dizer muito, muito, muito e não concretizar nada. Se isto parecer já não é mau. Lá fora, é muito pior. Somos uma miséria debruada a ouro falso, com honras de banda filarmónica militar a esganiçar marchas desafinadas. O nosso maior charme ocorre nas vielas. Ás escondidas, a pobreza não disfarça e tem os olhos brilhantes.  Os gatos, as vel...

Gostava

De te abraçar na mais alta e ventosa montanha do mundo De plantar flores nos teus pulsos e de ler para te adormecer De te escovar o cabelo demoradamente e de falarmos muito baixo De mergulhar no mar a segurar a tua mão para não ter medo De encontrar o tesouro do teu sorriso muitas vezes De te limpar uma lágrima num dia em que for preciso De partilhar contigo todos os segredos, animais de estimação, livros e silêncios De não precisar de esperar-te ou de procurar-te ou de recear-te ou recear-me De acordar-te com cócegas ou esconder-me para assustar-te Ou de ser acordado com sustos ou de te esconderes para me fazeres cócegas De ser usado como apoio para pintares as tuas unhas de vermelho Tela livre de pele para sarrabiscares e treinares as tuas tatuagens livres De assistir à invenção da noite encostado a ti De sentir o teu odor, a tua textura, o teu toque, a tua voz, muito perto Como sei que não posso Que não podes, não queres Para poder continuar a sonhar e Para que os...
Aprendi uma coisa nova com uma pessoa que vive (dorme) na rua - um sem abrigo, como se diz na normalândia - relativamente às estações do ano: o saudoso e doloroso frio do Inverno é mais silencioso e descansado que a histeria vulgar do Verão, que nos impede de dormir. [completamente de acordo, meus irmãos, meus mestres]