O chão bateu-me na cara
Numa noite morna e esverdeada
Lembrava pouco do que se tinha passado
Antes de ser socado pelo passeio de cimento
Levantei-me com uma máscara de sangue
A escorrer como um cachecol
Ainda cortei uma mão numa poça envidraçada
E sujei outra, não sei como, manga acima
Numa mistela nauseabunda
Havia monstros a falar muito alto e ao mesmo tempo
Que me agarravam as mangas e puxavam
Dezenas de faces obscuras e viciosas
Amontoavam cacofonias indecifráveis
As luzes perfuravam-me os olhos
E uma porção de barro, muito azeda,
Bloqueava a minha garganta inerte
Onde se sobrepunha uma cabeça
De três toneladas de delirante cinética
A tentar escapar do pesadelo
No outro dia, não percebia como é que
O Rasputine me tinha deixado em casa
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