As meninas estão corretamente pousadas no soalho vitoriano Estendem laços e tranças Emoldurando gigantes e amorfos olhos azuis Estão encadernadas de linho branco e debrum de cetim Dentes muito brancos Sisudas e determinadas sobrancelhas Sobranceiras de uns negros sapatos de verniz Dispostas em leque como uma colcha de roda Polvilham gargalhadas parvinhas Masturbam-se às escondidas, com água morna A condizer com os medos dos móveis tristes Com os cortinados hirsutos e entediados E, depois, o lustre, melancólico Nas gavetas e nos bolsos, a tilintar o sangue-moeda O crédito merecido da seriedade da civilização A tradição a render juros com solenidade Alimentada pelo quintal-África que se herdou do ilustre avô, comendador-avô Com toda a justiça e decência Pago com o sangue-moeda fundida no cu dos pretos Cunhada com as vergastadas que foi preciso juntar À caridade que nos sai da nobreza cristã Por vezes, descendo as tangas das jovens selvagens, abençoá-las E continuar ...