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A mostrar mensagens de fevereiro, 2019
Trago nos bolsos o sacrilégio de uma garganta entupida E nas calças desses bolsos o teatro físico de um saudoso desaparecimento Enquanto uso os olhos para enganar

sangue deles, nossa civilização

As meninas estão corretamente pousadas no soalho vitoriano Estendem laços e tranças Emoldurando gigantes e amorfos olhos azuis Estão encadernadas de linho branco e debrum de cetim Dentes muito brancos Sisudas e determinadas sobrancelhas Sobranceiras de uns negros sapatos de verniz Dispostas em leque como uma colcha de roda Polvilham gargalhadas parvinhas Masturbam-se às escondidas, com água morna A condizer com os medos dos móveis tristes Com os cortinados hirsutos e entediados E, depois, o lustre, melancólico Nas gavetas e nos bolsos, a tilintar o sangue-moeda O crédito merecido da seriedade da civilização A tradição a render juros com solenidade Alimentada pelo quintal-África que se herdou do ilustre avô, comendador-avô Com toda a justiça e decência Pago com o sangue-moeda fundida no cu dos pretos Cunhada com as vergastadas que foi preciso juntar À caridade que nos sai da nobreza cristã Por vezes, descendo as tangas das jovens selvagens, abençoá-las E continuar ...