de olhos fechados, vejo-te
és tatuagem no salão interior das pálpebras
de manhã, de tarde, à noite
de olhos abertos, despedes-te
estás muito longe e o ar fura-me os pulmões
as pegadas antecedem-me os passos, perco-me
és um nenúfar a afastar-se da margem do lago
sou um suspiro com medo de nadar
pudesse um barco levar-me para dentro dos teus pulsos brancos
nem que fosse por um momento
para neles naufragar
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