Queria sair de dentro da boca dela
Estava cansado daquele beijo prisional
E queria tanto sair de dentro da boca dela
Sem atropelar os seus dentes teimosamente cerrados
Há semanas que estava ali encolhido
Naquela caverna húmida e encarnada
A subsistir da sua esquizofrenia e da sua saliva doce
Da memória dos seus dedos finos muito brancos
E da persistência do seu olhar negro
Queria sair de dentro da boca dela
Vê-la a abrir a porta ao lado
A mastigar delicadamente
Acentuando a linha do pescoço
Apoiada nas meias de riscas
E voltar para a sua boca
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