Ele olhava o espelho e perguntava a origem da sombra que via no reflexo
A memória tatuada de três brinquedos usados em rituais cíclicos
As palavras habituais do pai habitualmente bêbedo, cicatrizadas no olhar quase sereno
Uma fotografia a conservar o único sorriso que conhecera da mãe, muito jovem
Uma lembrança de Fátima, de vidro, contendo água e com a palavra Fátima dourada
Um lenço que ficou esquecido, da única namorada que teve, há mais de dez anos, a Celeste
A coleira pendurada na parede e o cheiro do Jonas, o pastor alemão, que entranhou naquele tapete castanho, desde o tempo da Celeste,
Aquele postal estúpido da siderúrgia nacional, com um presépio de ferro a desejar bom natal de 1994,
E acima de tudo, aquela maravilhosa amiga... a única que o compreendia e que o vestia como uma luva
Aquela que teria que tratar como uma filha, do mesmo modo que ela o fez filho sem pai, sem mãe, sem Celeste, sem Jonas e sem o senhor Teles, o vizinho
A que conseguiu calar as vozes que não o deixaram dormir, descansar, viver em paz, fumar o seu cigarro e ouvir música
A sua menina, a sua Remington 870, a ser preparada, agora, para o beijar na boca
A memória tatuada de três brinquedos usados em rituais cíclicos
As palavras habituais do pai habitualmente bêbedo, cicatrizadas no olhar quase sereno
Uma fotografia a conservar o único sorriso que conhecera da mãe, muito jovem
Uma lembrança de Fátima, de vidro, contendo água e com a palavra Fátima dourada
Um lenço que ficou esquecido, da única namorada que teve, há mais de dez anos, a Celeste
A coleira pendurada na parede e o cheiro do Jonas, o pastor alemão, que entranhou naquele tapete castanho, desde o tempo da Celeste,
Aquele postal estúpido da siderúrgia nacional, com um presépio de ferro a desejar bom natal de 1994,
E acima de tudo, aquela maravilhosa amiga... a única que o compreendia e que o vestia como uma luva
Aquela que teria que tratar como uma filha, do mesmo modo que ela o fez filho sem pai, sem mãe, sem Celeste, sem Jonas e sem o senhor Teles, o vizinho
A que conseguiu calar as vozes que não o deixaram dormir, descansar, viver em paz, fumar o seu cigarro e ouvir música
A sua menina, a sua Remington 870, a ser preparada, agora, para o beijar na boca
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