Há dias em que a solidão é o sofrimento mais pesado que existe. Um dia, espetei um garfo no peito para desviar a atenção dela. Foi divertido. Imaginar a tragédia da existência em versão Jasper Johns é uma ironia que nos conserta e salva. Camisola para o lixo, limpo o sangue e desinfecto os quatro minúsculos e dolorosos furos no peito. Visto outra camisola enquanto um sorriso parvo se vai sobressaltando para um riso de consistentes gargalhadas. A multidão esmagou-me na rua e os sons gritaram até me lembrar que há dias em que a solidão é a única salvação possível, basta manter o armário dos talheres sossegado.
[I] A voz trémula [a] risca no ar uma fina linha vermelha [II] Em forma de pergunta, [b] o olhar intermitente de um sorriso [III] São flores silvestres [c] que tatuas na minha vontade [IV] De segurar a tua mão, [d] de passar o tempo a tentar responder [V] Em certas manhãs, [e] a tempo de continuar a ser [VI] Encontro absoluto de bichos-da-seda [f] para lá do tempo e da morte [VII] Sem mentiras nem remorsos [g] em silêncio, a sentir a voz da pele [I], [II], [III], [IV], [V], [VI], [VII] ou [a], [b], [c], [d], [e], [f], [g] ou [I], [a], [II], [b], [III], [c], [IV], [d], [V], [e], [VI], [f], [VII], [g]
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