Obrigado por me curares o cansaço
Sem me privares de sentir o caminho
Obrigado pelo Bourbon que nunca partilhamos
Que me embriaga docemente sob a tua voz
Obrigado pela distância a que me fazes ouvir
Os camiões em viagem, as velhas emissões de rádio
Obrigado pelo castanheiro velho e retorcido
Onde, de repente, pousaram dois corvos
Obrigado pelo cachimbo do velho pescador
E pelo sorriso borratado da puta de Mineápolis
Obrigado pelas pétalas desfeitas da última rosa
E pela bicicleta estragada que me atrasou um amor
Obrigado pelo sangue de um príncipe moribundo
Pela saudade de levar a casa ao fim da noite
Obrigado pela feira cruel do cavaleiro negro
E pelos peidos nauseabundos do seu cão
Obrigado pelo uivo do lobo mais velho
E pelo telefonema tantos anos depois
Obrigado pelo tic-tac do relógio do orfanato
Pelo grande cemitério de cadillacs
Obrigado, Tom Waits
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