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I Hope That I (...)

Mãos encostadas às mãos
Entre dedos, o tamanho de um vaga-lume
Sobretudo a elegância proporcional
A combinar sob as varandas dos sorrisos
Como se a lareira da imaginação
Fervilhasse secretamente de agrado
E amiúde, os olhos, deixassem escapar alguma coisa
Um suspiro de luz que arrepiou o mundo
E em cima o peso menos inerte das cadeiras
E como nos podemos culpar?
Todos os dias chove em algum lado
Todos os dias alguém canta
Todos os dias o lobo caça
Quem poderemos culpar?
O mundo real está dentro das nossas cabeças
E está fora das nossas cabeças
Dentro da minha cabeça
As contas dolorosas do possível, do impossível
Fora da tua
Um adeus apressado atrás de um portão


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Em memória de um nariz partido (ao Sá)

O chão bateu-me na cara Numa noite morna e esverdeada Lembrava pouco do que se tinha passado Antes de ser socado pelo passeio de cimento Levantei-me com uma máscara de sangue A escorrer como um cachecol  Ainda cortei uma mão numa poça envidraçada E sujei outra, não sei como, manga acima Numa mistela nauseabunda Havia monstros a falar muito alto e ao mesmo tempo Que me agarravam as mangas e puxavam Dezenas de faces obscuras e viciosas Amontoavam cacofonias indecifráveis  As luzes perfuravam-me os olhos E uma porção de barro, muito azeda, Bloqueava a minha garganta inerte Onde se sobrepunha uma cabeça De três toneladas de delirante cinética A tentar escapar do pesadelo No outro dia, não percebia como é que  O Rasputine me tinha deixado em casa Salvo, sujo e com o nariz partido

burocracia

receio o minotauro receio as bestas, por familiaridade mas sei que o perigo está nos labirintos diz o que queres, Maria.