Sobre a lã púrpura e esbranquiçada das nuvens
O amarelo em modo maior a anunciar a aurora
Estou a ser lançado por uma fisga para um caminho lento
O tumulto do meu estômago desce às pernas inertes
E a cabeça a gozar a sorte de ainda estar vivo, pulsante
Estremecendo com prazer através desta loucura veloz
O medo a alimentar uma imaginação masoquista
Que constrói um sorriso na varanda do meu rosto
Enquanto sonho outro sorriso resplandecente sob o céu
Preso a uma âncora pesada no meu submundo
Penteando a língua com uma navalha mal afiada
Para sentir o amargor do metal da salvação
De onde se criam bolbos de flores estonteantes
Celebrando a vida na dança frenética do sangue
Jorrando como um rio que desagua na morte
À sombra de um lugar a que chamei casa
Onde a calma apodrece debaixo dos candeeiros
E os órgãos vivos apodrecem com a calma
Gastando-se na voragem destes dias
No teatro mudo de perdurar e sustentar
O palhaço que se compadece da comunidade
E os segredos que escondemos nas lágrimas
Que murmuramos aos nossos animais domésticos
A imaginar uma sapiência ancestral que vive nos olhos
Aproveitando a elegância primordial do silêncio
Para envelhecermos como as montanhas
Observando rios e escutando ventos uivantes
A guardar o segredo matricial do magma
Antes de me levantar e partir para outro lugar
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