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A mala dela

Na sua mala guardava muitas coisas.
No dia em que me deixou, despejou-a veementemente sobre um sofá para procurar a chave de casa para me entregar.
Atónito, reparei que trazia um porta-moedas, três notas e muitas moedas por guardar, meia dúzia de utilidades de maquilhagem, três tampões, uma carta aberta, uns colares ou pulseiras, mais uns brincos entre vários anéis, uma esferográfica com a Betty Boop, um isqueiro e um maço de tabaco, uma caixinha de dropes, um buda de plástico vermelho, uma cópia pirata de The Black Rider do Tom Waits, um pacote de lenços de papel, uma multa por estacionamento indevido, uma écharpe engelhada, um tacão partido de um sapato, um caroço de maçã seco, um bilhete de um concerto que aconteceu em 2014, um caderno, um carregador de telemóvel, um saca-rolhas, umas cuequinhas verdes de renda muito bonitas, uma fotografia de uma senhora velha, uma tablete de Chocolat Bonnat, um perfume, uma edição de bolso de Voyage au bout de la nuit de Céline, uma Beretta 1934, um bilhete de combóio, uma pequena flor seca e o que restava da minha dignidade.
Foi nesse momento que quase me apaixonei por ela.
Um segundo antes de nunca mais.

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Em memória de um nariz partido (ao Sá)

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receio o minotauro receio as bestas, por familiaridade mas sei que o perigo está nos labirintos diz o que queres, Maria.