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Mapa pornográfico

Na sombra de um lençol,
havia uma milha que distava isso mesmo.
Ao lusco-fusco,
exibia-se o que estava proibido mostrar.
Os rios escorriam veementes pelas pernas das montanhas
E alargavam nas ancas do oceano,
onde se perdiam desvairadamente.
A pluviosidade organizava um baile nos baixios interiores.
Por vezes, variava-se a pressão e até se descansava um pouco.
Abandonavamos os lagos pelo leito
enquanto riam tremores de terra e a agricultura
sorria perdida e descomposta ao fundo do corredor.
Subitamente, um trovão ameaçava a primavera.
A Índia refugiou-se entre as pernas.
A milha que pousava no lençol desalinhava em alguns centímetros.
Encolhia. E a planície de umas costas arqueava-se
para recolher uns chinelos e lavar-se por baixo.
A média de tédio por héctare subia abruptamente e
o desespero chapinhava nas monsões setentrionais.
Duas semanas mais tarde,
a rotação ameaçava o quarto crescente.
O equador saiu de casa penteado para tomar um café.
Um café africano, torrado,
trocado por dinheiro de pessoas brancas
e vendido em chávenas brancas.
O hemisfério branco reclinava-se a fumar
e pagava a negrura do café.
O sector terciário escondia-se nos biombos das estepes
e fornicava lentamente com o sector primário.
O secundário estava, nessa altura,
a gozar férias numa caravana, no trópico de capricórnio.
Todos enrolados, com metro e meio de rolo,
agitavam-se pela vergonha acima.

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