Hoje não é
[ hoje
Já não é de pedaços de dor que se quebra o caminho
Aqui não é
[ aqui
Lá, vive no meu coração. Dentro
E aqui, lado a lado, acima e abaixo
Eu já não sou
[ eu
Não sou. Estou aqui e ali, em caminho
Estou no que conheço, no que não conheço,
em ti, no mar, na árvore
Não sou coisa nenhuma
O que a chuva, o vento, os rios, os pássaros respigadores,
os postais perdidos, os perdidos, os encontrados e
os desencontrados e o que trazem todos
nos seus bolsos ou nas mãos vazias,
desenham-me a silhueta do rasto que deixo no tempo.
Luz de pedra
[ pedra de água
O sangue de fogo
[ que fundiu o vento sul
Desenhando orquídeas
[ nos pés gretados
Dos velhos caminhantes
Que, leves como o pólen
[ se ergueram da terra
[ como fontes suspensas
Rindo como o gavião
[ e pulando de cor em cor
Oferecendo aos povos uma harpa
[ dentro de cada boca
Para que cantassem com todo o ar da abóbada celeste
[ panta rei
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