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É PRECISO DIZER URGENTEMENTE AOS GATOS

É preciso dizer urgentemente aos gatos
Que o valor do meu coração é um encargo árduo
Que o sangue que trago nos copos interiores
Não coagula, [ nem com a gula ]
Que o vento não me arrefece as artérias
Passeia-me as delícias proibidas
Que arranho os joelhos como um puto
Para subir a tua carapaça dura
Que levo o troar de uma horda mongol
Abandonada pelas armas e dedicada à música
Que sou um pedaço de lama inteligente, nada mais,
E que sonho todos os dias, quase sempre acordado
Que gosto de me esconder brincando à estupidez
Para não deixar-me ser pedaços de saudade espalhada
Que estou muito cansado e que gosto
Que estou sempre de saída, ficando em todo lado
Que me adapto como se já fosse
E que sou como se não existisse
Trago o coração na mão esquerda
E um cigarro na direita
Não sou alto nem baixo
Novo nem velho
Será fácil fugir ou ficar
E quase sempre, ao mesmo tempo
Por isso, se de mim esperas alguma coisa
Eu não tenho nada
Se queres nada, dá-me a mão
Convida-me para dançar
Encosta-te na solidão dos gatos
Só eles me conhecem

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